Um livro que vale a pena!

         Um livro que vale a pena!

        

          Ganhei este livro de aniversário do meu irmão Gustavo e foi um presente em conjunto para minha mãe, um livro para nós duas. O autor é David Servan-Schreiber, a editora é Fontanar e o título é “Anticâncer, prevenir e vencer usando defesas naturais”. Acho que em algumas livrarias ele deve estar na parte de medicina ou  saúde/alimentação… Contudo, é um livro que vai além de um só “encaixe”, um só tema, uma só análise de um  problema.

           O autor, um médico que descobriu um tumor no próprio cérebro por acaso, vê o câncer como uma doença que é soma de vários fatores, entre eles a poluição das águas, mares, ares, alimentos,  além dos fatores psicológicos. A cura se faz em várias frentes e não apenas na medicina tradicional! É uma luta de muitas descobertas, uma luta mais direta contra a morte que pode chegar ( ou não) mais cedo (e até a aceitação desta de maneira tranqüila), um mergulho dentro de si, uma modificação no jeito de ver e viver, uma batalha contra a  vida de consumo que tudo destrói e intoxica. 

           David diz que o câncer pode demorar de dez a quarenta anos para se manifestar, para explodir. No caso dele, ele relembra que ele  – e duas primas que tiveram câncer também –  brincava na infância em lugar contaminado. Por que nem todas crianças  tiveram câncer alguns anos depois? David novamente se analisa e diz que no caso dele foi um trauma de bebê – ele foi para psicanálise – quando  foi separado da mãe muito cedo, pela avó paterna, por achar que o leite materno “era fraco”, por isso ele chorava muito e nem assim o entregavam para a mãe.   Muitos anos se passaram e após a separação de David da primeira esposa a sensação de impotência e abandono voltou com força maior.

          Somando a contaminação nas plantações da infância com a sensação de impotência, uma dor muito forte que não vemos como lutar contra ela, e ainda, uma alimentação e estilo de vida que nutrem as toxinas cancerígenas: o tumor surgiu. David diz que alguma sensação de rejeição da infância, impotência, nem sempre se torna um câncer, todavia, quando esta sensação volta na vida dos adultos com muita força, mais a alimentação errada, fadiga cotidiana, então surge o câncer. Ele, em geral, nasce de uma soma de fatores emocionais, nutricionais e do estilo de vida da pessoa que precisa ser modificado.

          Estou correndo para me modificar, em vários aspectos.

          Alimentação:

           O autor dedica boa parte do livro para este tema e cita centenas de pesquisas. Primeira notícia: o câncer se nutre do açúcar branco, quem é formiga como eu, corre que ainda dá tempo! No lugar ele faz várias sugestões: estévia, açúcar mascavo, mel… Ele cita, entre outras,  a pesquisa de Loren Cordain, da Universidade de Colorado, sobre a acne, que é uma inflamação da epiderme. Este pesquisador foi até as Ilhas Kitavan, na Nova Guiné e pesquisou 1200 adolescentes. Nenhum tinha acne! Então ele pesquisou a alimentação destes jovens e eles não consumiam farinha branca e nem açúcar, sua alimentação era rica em frutas e frutos do mar.

           O que isso tem haver com o câncer? O autor cita várias outras pesquisas em que o câncer é alimentado pelos processos inflamatórios, então toda alimentação que causa inflamação, alimenta ao câncer.

           Cita ainda as pesquisas mundiais sobre câncer de mama e próstata. Nos países orientais onde a alimentação não possui tanta carne vermelha, farinha branca e açúcar, o índice de câncer de mama e próstata  é muito menor, aliás, é mínimo!

           David nos conta várias pesquisas e temos um panorama ocidental de: aumento do consumo do ômega 6 (em vez do 3) através das margarinas, gorduras hidrogenadas, carne vermelha com boi alimentado errado, aumento do consumo do açúcar, surgimento de várias substâncias tóxicas no nosso meio ambiente.

´      O autor é um médico pesquisador, que realizava uma pesquisa quando descobriu seu câncer, então todas as informações que ele trás estão repletas de exemplos de pesquisas. Além disso, tudo que ele pesquisava aplicava na própria vida, apesar de ter tido um tumor maior que uma noz no cérebro, quando  escreveu este livro já fazia 14 anos que isso acontecera.

           Emoção:

           Toda luta contra o câncer passa também por um bom sistema imunológico, emoções ruins apenas atrapalham nosso sistema. Sentimentos de impotência, desespero, de abandono, são como adubos para o câncer. Como já contei, quando estes sentimentos surgiram na infância e não foram bem tratados, quando se repetem na vida do adulto, voltam com força maior.

           O autor conta sobre a pesquisa de Charles Nemeroff, da Universidade de Emory, na qual pacientes deprimidos contam história de traumas na primeira infância e  seus fatores de inflamação (que favorecem o desenvolvimento do câncer) reagem de maneira violenta a um estresse de laboratório. Talvez, estas cobaias não desenvolvam o câncer porque foram tratados, falaram destes problemas e de certa forma os detectaram, porém o que nós costumamos fazer é esconder estes traumas de nós mesmos! Então, quando uma emoção parecida surge e já somos adultos: lá vem o câncer!

          Outra experiência muito interessante que David nos conta em seu livro,  dá uma pena enorme dos ratinhos, mas nem assim deixa de ser interessante, pois ilustra o mal que nos faz o sentimento de impotência diante dos problemas. Esta foi realizada pelo Dr. Martin Seligman na Universidade da Pensilvânia, o sádico  injetou células cancerosas nos coitadinhos dos  camundongos. Uma parte destes ficou por conta própria e ao final de três meses a metade já tinha sido consumida pela doença. Um segundo grupo foi submetido a choques elétricos dos quais podiam aprender a escapar apoiando-se numa alavanca dentro da gaiola e um terceiro grupo foi submetido a choques elétricos e não havia como escapar deles (impotência).

           Os resultados, publicados na Science: 63% dos ratos que tinham aprendido a controlar a situação (puxar a alavanca), rejeitaram o tumor, superaram o câncer sem tratamento nenhum! Eles se saíram ainda melhor do que aqueles que foram deixados tranqüilos! Todavia, somente 23 % dos ratos que não conseguiam reagir, pois levavam choques e o problema não tinha solução, sobreviveram ao câncer! Por isso, na hora da descoberta do câncer, tem que haver também uma luta para superarmos nossos “choques elétricos”. Os coitados dos ratinhos realmente não conseguiam superá-los, não eram o  Super Mouse, para saírem daquela gaiola e darem um soco bem dado naqueles pesquisadores sádicos!

          Nós, seres humanos, sempre temos como superar nossos problemas, salvo as emoções de impotência diante da morte de alguém querido, injustiças, algumas  por fofocas que nem sabemos de onde vieram, portanto, não temos como nos defender, abandono irreversível ou rejeição inexplicável. Nestas horas  temos que chorar o que tem para ser chorado,  mesmo que dentro de nós venha um vazio, uma saudade, uma dor sem cura, é preciso continuar. Mesmo que a lágrima venha às vezes, é preciso sacudir a poeira!

         Como? David continua seu próprio caminho de superação e um amigo que lhe traz esperanças quando está de novo em crise com a segunda esposa e coincidentemente o câncer, que estava estacionado, retorna. Ele resolve escrever um livro, este livro que li e gostei!

         Escrever, dançar, lutar, fazer massagem, terapia e meditação podem ser alguns caminhos para superação do sentimento de impotência-rejeição  que de  alguma maneira surgiu. David resolveu escrever e experimentar vários destes caminhos!

         Meditação e atividade física:

         David também resolve praticar a meditação e fez sugestões e pesquisas dela com seus pacientes, um cineasta que fazia mil coisas ao mesmo tempo, e tinha acabado de descobrir o câncer, conseguia acalmar seus pensamentos por dez minutos à princípio. Depois,  uma hora por dia que se tornou sagrada e ele aprendeu a fazer tudo na vida de “corpo inteiro”, com total concentração. Além de ter dominado seu câncer, agradece ao Dr David sua mudança no estilo de vida e ainda está vivo, apesar de ter tido um câncer que lhe dava pouco tempo de vida.

        Aliás, o livro é bom não só porque David fala de pesquisas, porém porque fala todo tempo de seu trabalho como terapeuta de outros pacientes com câncer e ilustra o modo como cada um buscou sua maneira de lutar com o câncer. Nestes momentos, ele diz, ajudava e era ajudado, pois aprendia!

        Quando diz sobre a atividade física fala de uma paciente do Dr. Thierry Bouillet, do hospital universitário de Paris-XIII, médico que praticara caratê durante muito tempo e indicava aos pacientes uma academia que trabalhava com pacientes em tratamento de câncer.  Jacqueline sentiu através da luta, pela primeira vez na vida, que tinha forças para lutar! Esta força a paciente usou para lutar contra sua própria doença.

          David nesta hora avisa que as pessoas precisam consultar seu oncologista porque certos exercícios podem ser perigosos para algumas doenças. Por exemplo, aqueles exercícios que movimentam os braços depois de uma cirurgia de câncer de mama devem ser evitados, bem como  a corrida para pessoas que apresentam metástase óssea.

          Por estas e outras é que a meditação e o controle respiratório em muitos casos é o melhor caminho.

        

           Durante todo o livro David vai do paciente ao médico, do pesquisador, ao paciente, do médico ao paciente. Toda sua história, as histórias de seus pacientes, as pesquisas de seus colegas, se misturam numa narrativa gostosa, que passa pelo medo da morte e o enfrentamento sereno dela quando se faz necessário.

         Fala sobre  a importância das palavras de carinho que recebera e dos apoios que conseguiu dar.

           Descreve as transformações que o câncer causou na sua vida e na vida de pacientes e colegas.  Sugere mudanças econômicas, cita autores russos, busca transformações ecológicas para evitar um mal que tem atingido cada vez mais pessoas no mundo: o câncer. Quando este está presente: as diversas maneiras de reagir ao mesmo. Quando não tem jeito: a enfrentamento da morte como uma importante etapa da vida, de uma vida que passou a fazer mais sentido.  Aliás, ele nos lembra que aprendeu sobre a vida após a morte depois de seu próprio câncer, quando buscou  experiências de pessoas que estiveram quase mortas! O autor era ateu e deixou de ser. Por estas coisas – e outras  que devem ter escapado – recomendo este livro.

         

           Camila Tenório Cunha

           18/09/2009

         Um vídeo sobre pessoas que estiveram do outro lado e retornaram:

 

        Um vídeo sobre o Chico Xavier, o narrador comete alguns erros, por exemplo quando diz que Allan Kardec “criou” a doutrina espírita, ele apenas codificou, mas mesmo assim é um pequeno vídeo que vale a pena!

        

         

           

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2 Comentários

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2 Respostas para “Um livro que vale a pena!

  1. Andreia Breve

    Este livro deve ser ótimo, ainda mais pelo comentário. Os videos também são bem interessantes. Gostei!

  2. Muto bom e abrangente, tem muita gente que vive em função de melhorar essas questões e um grupo que convivi que tinha a ver com isso você pode encontrar no site http://www.healing-tao.com.br
    Abraços.

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