A diminuição das lutas em movimentos sociais e o aumento das violências individuais:

     A diminuição das lutas em movimentos sociais e o aumento das violências individuais:

 

      Houve aqui em São Paulo, com muitos anos de PSDB, um enfraquecimento dos movimentos sociais, há  anos  professores universitários e de ensino básico apanham nas ruas, se por acaso reivindicam salários e outras melhorias, como a democracia, por exemplo. Também faz anos, por exemplo,  que aqui em SP os sem teto e os sem terra apanham de policiais, sem conseguirem se instalar em terras particulares improdutivas  ou propriedades que não pagavam impostos. Temos também uma substituição dos   movimentos eclesiais de base, que lutavam em conjunto por outras melhorias comunitárias, por um avanço da ala carismática e  a pentecostal, que vêem a religião como uma conquista individual da própria felicidade e esquecem as lutas coletivas.

       Além disso, há anos que aqui em SP a educação pública é sucateada, professores eventuais sem compromissos e sem direitos dão aulas nos lugares dos professores concursados doentes, mal remunerados e que lentamente abandonam o magistério básico. Algumas alunas, agora do Instituto Federal, contaram para mim como era sua escola estadual: “Professora, não era como aqui, todos  professores fingiam que ensinavam, alunos não queriam aprender, atrapalhavam quem queria, agrediam professores, estes davam trabalhos que um copiava do outro e todo mundo tirava nota. A gente nem sabia o que não sabia. Acho que os professores nem liam os trabalhos.”

       Tudo isso cria um estado com uma população alienada, massa de manobra despreparada, onde acreditam no pensamento das elites de proteção ao “indivíduo”, de medo das “lutas sociais”, de crença cega no que diz a imprensa das elites (Veja, Globo, etc), que sonega informações como qual é o  partido do Arruda (DEM) do distrito Federal que apóia o PSDB, além de acultarem propositalmente o verdadeiro sentido das lutas sociais.

        Esta população não acredita, ao mesmo tempo, em nada, em político nenhum, em ideologia ou sonho algum, e,  sequer tem informações do que os políticos sérios e competentes andam fazendo (como Mercadante e Suplicy), então parte para agressões individualistas: como jogar pedras ou copos em funcionários de postos de saúde ou  agredir professores, do mesmo modo alguns professores sem formação e concursos adequados agridem alunos e a violência forma um círculo vicioso.

        Quando temos uma diminuição das lutas sociais, coletivas, um esvaziamento de ideais, a conseqüência é o aumento das agressões individuais aos representantes das Instituições que não funcionam: como saúde e educação. Um funcionário e um professor agredidos aumentam as listas de outras pessoas agredidas pela intolerância, impaciência e falta de visão maior do mundo (um motorista de ônibus, por exemplo, outro dia foi agredido por uma passageira por brecar bruscamente, em vez de melhorar, correu ainda mais).

              Temos então um  aumento dos preconceitos incentivados pela própria elite, bem como desrespeito aos direitos humanos básicos, temos a falta de informação sobre o sentido das lutas sociais como maneiras de dialogar, conquistar e manter direitos, além de uma crença cega no discurso das elites, que promove o medo dos movimentos sociais.   Uma hora esta violência bate à nossa porta e outra hora baterá nas portas das elites, violência que pulará os muros dos condomínios, isso  porque outras maneiras de melhorias comunitárias estão repreendidas, as pessoas ficam perdidas achando que cada luta é apenas sua, individual ou de seus vizinhos. Não percebem que a luta por  direitos humanos e dignidade é coletiva, social e econômica.

                  Deste modo partem para violências localizadas, sem sentido, como a que agrediu funcionário do posto de saúde com um copo. Além disso, é preciso que a imprensa das elites perceba que a falta de informações proposital sobre a história dos partidos, grupos e políticos uma hora a atingirá também, pois destruir sonhos coletivos pode promover o caos como aqueles no governo Alckimn, onde grupos criminosos  promoveram o terror por dias e dias.

                 Tapar a realidade e destruir o que este governo Lula promoveu de bom, reconhecido em todo mundo,  como esta imprensa das elites anda fazendo pode ser perigoso para todos, porque causa aquela sensação de  “E agora, José, ou seja, “o que nos restará’? Contudo, não é repressão simples  que resolverá: apenas conscientização e alargamento das visões individualistas, burguesas e capitalistas, para as sociais e humanistas. Por estas e outras que tenho muito medo do “modo PSDB de governar” e fico triste ao pensar que agora iremos para quase 20 anos  dele aqui em SP.

 

Camila Tenório Cunha

28/09/2010

 

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2 Comentários

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2 Respostas para “A diminuição das lutas em movimentos sociais e o aumento das violências individuais:

  1. Estela maris

    compatilho também essa idéia
    e mais uma vez o Estado de São Paulo mostrou o quanto é reacionário,com a vitória de Geraldo
    nós professores estamos em luto
    Estela maris

  2. Possibly the best blog I have read ever 🙂

    Best regards
    Antonia

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