Pessoas mal resolvidas com o poder: parte II.

“Problemas” com o poder: parte II .

 

 

   Tenho evitado ver jornais, ando muito sensível… Mas minha mãe estava assistindo Record Notícias e vi esta reportagem: meninos proibidos de andar de skate e um bandido fugindo.

       Primeiro: eram jovens na prática de um lazer muito saudável, não competitivo, onde aprender novas manobras representam o desafio, num lugar vazio por já ser noite. Não estavam se drogando, nem roubando, sequer bebendo porque para estas manobras é preciso muita motricidade, domínio corporal e habilidade, além, ao meu modo de ver: um bocado de coragem!

        Segundo: havia um bandido para correr atrás e recuperar os pertences de uma moça, que continuou sem suas coisas, só que o policial preferiu continuar com o skate do jovem. Ora, aquele skate era propriedade privada, pertencia ao garoto, em que momento o policial achou que teria o direito de confiscá-lo? Advertir é uma coisa, o que ele fez foi roubo. No entanto, o bandido real ele deixa escapar para continuar com o skate do jovem?!…

        Estamos vivendo neste tipo de sociedade autista, que se diz capitalista, mas que não respeita a propriedade privada quando esta propriedade não representa um grande poder. Aqueles que possuem um pequeno poder só querem abusar dele e humilhar jovens, sem pensar que a função de todo adulto, perto de um jovem, é apenas educar. Sabemos que educar não passa pela humilhação, porque tudo que passa por este sentimento gera um bloqueio, revolta, tristeza, e tantos outros sentimentos que não transformam, apenas solidificam o que há de ruim.

        O jovem, quando está fazendo algo saudável, tem o direito de ser respeitado e quando está em risco ou colocando a vida de outras pessoas em risco: ser advertido com respeito. Qualquer outra atitude é abuso de poder, necessidade de auto afirmação do adulto, falta de visão de que como adulto ele é um educador, mas que nenhuma educação passa por abuso, qualquer abuso é um desrespeito e atrapalha o desenvolvimento deste jovem.  Como não está este rapaz que teve seu skate roubado: eu fui roubado pelo policial e o ladrão que roubou a jovem está solto… Devo confiar no ser humano?

           Liberem o centro para atividades como skates à noite, que mal há nisso? Drogas, bebidas, sons altos, como ocorre no centro de SP: isso sim deve ser proibido!! Skates, patins, bicicletas: que sejam liberados!

            Se neste centro tem monumentos históricos, sei lá, então que a prefeitura construa um espaço para skatistas nele, assim também não teríamos tantos skatistas mortos e atropelados por motoristas noturnos, em geral, bêbados.

            Gosto dos skatistas, admiro os surfistas e gostaria de ver mais jovens em atividades de lazer assim! Pena que nossa sociedade tem sofrido tanto com estas pessoas com “problemas com o poder”, que precisam abusar dele para se sentirem bem, são estas atitudes que afastam os jovens da vida comunitária e criam monstros como aquele que matou as 12 crianças! Aquele assassino não gostava de skates: preferia a solidão virtual. Brincar com armas de brinquedo, em grupo, não é errado na idade certa, se fechar para o mundo dentro da realidade virtual é que é o perigo!

             O que fico triste é que atitudes assim, destes adultos com problemas de auto afirmação, é que colocam os jovens na solidão e longe da vida em grupo, comunitária.  Acabam perpetuando esta sociedade autista, onde ninguém se vê, nem se escuta, e pior: onde nascem os psicopatas!

 

Camila Tenório Cunha

16/04/2011

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4 Comentários

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4 Respostas para “Pessoas mal resolvidas com o poder: parte II.

  1. Ana Consuelo

    Querida Camila,
    Achei muito pertinente sua reflexão quanto às “pessoas mal resolvidas com o poder”. Mas eu não diria que estamos vivendo numa sociedade autista, pois, em defesa do autismo, este resulta de um comprometimento no desenvolvimento, na aquisição de habilidades. Penso que as pessoas que não vêem e não escutam o outro, coisificando-o, estão mais próximas da perversão, o que é mais preocupante. Bjo, saudades, Ana.

    • profacamilatc

      Oi, Ana. Isso, na verdade você foi bem precisa mesmo… Valeu, não é questão de “aquisição de habilidades”, mas de solidariedade e compaixão.
      Bjs

  2. Olá, Querida Camila.
    Há tempos, mesmo, não te via por aqui…
    Penso que o foco ainda é a sociedade capitalista mesmo. A segurança pública (mas a privada, também) é pensada sempre na perspectiva da coerção, não da educação. Se não for assim, porque não formarmos a polícia (militar e civil) e as demais forças (exército, bombeiro, marinha etc.) com uma forte formação educacional? Que tal policiais e Forças Armadas aprenderem Paulo Freire, Saviani, Makarenko, Pistrak, Gadotti, PAblo Gentilli, MIlton Santos? Até poderiam ler Friedman, para conhecê-lo? Por que não lerem Lino, Celi, Sávio, Ana Márcia, MARCELO RUSSO (hehehe), CAMILA…? Por que não nos quartéis de formação nossos futuros homens e mulheres da segurança pública não terem que fazer uma resenha de “Levantado do chão”????
    Seriam mais humanos? Reconhecer-se-iam assim?
    Vida Longa ao seu espaço!
    MVbjs.

    • profacamilatc

      Marcelo querido, seria maravilhoso que os militares lessem Milton Santos, Florestan Fernandes, Herbert de Souza, soubessem suas histórias, percebessem o quanto nos encontramos na mesma luta…
      Seria maravilhoso que os espaços comunitários fossem respeitados na sua íntegra, onde um monumento fosse importante, mas um jovem convivendo de modo saudável: infinitamente mais!!
      Leu o artigo que escrevi sobre O Solista também? Mesmo fundo de problema atrás daquele história: o sistema capitalista. Este sistema cruel que isola as pessoas em seu sentimento de inferioridade até deixá-las doentes…
      Muvabreijos.

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