Padrões e imposições de comportamentos: também no lazer.

              Neste mundo globalizado tudo nos é imposto. Isso de uma classe dominante impor padrões de crenças, comportamentos, é antigo, já discutimos aqui em outros textos, mas agora, na globalização, as elites ditam modelos de comportamentos que nos bombardeiam em várias fontes. O que mais me choca é que até pessoas inteligentes uma hora passam a acreditar nestes modelos e  nem nosso tempo livre escapa de imposições.

                       Sempre fui de seguir o que meu coração acreditava, ele sempre acreditou que era bom fazer o bem porque ficava feliz quando agia assim, tentava acompanhar minhas amigas de infância em catecismos e nunca via lá o mesmo Jesus que minha avó paterna ensinou a amar, lá só tinha um demônio a temer. Nunca acreditei no medo, nunca gostei de nada que me fizesse sentir isso. Detesto filmes de terror. Mas sempre acreditei no poder do amor e por isso acreditava no Jesus que minha avó falava, ela falava que Ele dizia: “Faça aos outros aquilo que gostaria que lhe fizesse.” Simples assim.

                        Contudo, respeitava demais a fé das minhas amigas católicas e protestantes, cheguei a assistir vários cultos  e  missas, algumas vezes gostei muito, principalmente quando não se lembravam de imposições ou medos, mas falavam de amar ao próximo. Também sempre respeitei meus amigos e parentes ateus, via em vários uma prática até mais coerente com o cristianismo do que em alguns que “se diziam” cristãos.

                         Fui assim, feliz, com este modo de viver. Na faculdade nadava muito, estudava, descobria autores que releio até hoje (até porque minha profissão pede estudo) participava de grupos como de Educação Física Adaptada, onde ficava muito feliz quando um aluno com  lesão alta de coluna conseguia participar de um vôlei com bola leve e rede baixa, era pura emoção quando dançavam conosco, etc. Também sentia alegria quando nadava e esquecia da vida dentro da piscina; quando no frio corria; quando olhava o pôr do sol da FEF, na  Unicamp… Como era um curso integral e ainda havia tantas coisas que descobria, além da possibilidade de poder fazer aulas em outros cursos, de participar de centro acadêmico, nunca gostei muito das festas, fui em poucas e só sentia falta de repor a  energia do dia atribulado. Todavia, na minha vida, sempre respeitei quem gostasse. Também nunca gostei de beber, mas sempre respeitei quem gostasse. Minha crença era que cada um deve buscar seu próprio caminho para ser feliz, ainda penso assim. Minha alegria estava em nadar, dançar, trabalhar com adaptada, era bem simples, entretanto respeitava e entendia quem gostasse das festas até de madrugada.

                   Mesmo assim percebo hoje um movimento contrário ao que penso, de respeito ao modo que cada um tem de ser feliz. Refletindo sobre isso me dei conta que há neste mundo globalizado não só uma imposição de corpos – magros, trabalhadores, etc – mas de como se deve agir em seu tempo livre. Ninguém aceita que alguém possa ser feliz se não beber, ir para balada, fazer sexo. Até o fazer sexo é uma imposição, de repente alguém não precise assim tanto dele quanto se divulga na mídia, algumas pessoas precisam mais de afeto do que de sexo, mas a mídia divulga a cerveja e o sexo. E as pessoas pensam que para ser feliz precisam desta combinação. Como se alguém não pudesse sentir felicidade ao chegar em casa depois de uma caminhada, tomar um banho quente e ler um bom livro! Como é bom abrir um bom livro e ler com tranquilidade! E quando podemos sentir o cheiro de um livro novo? Porque compro muito livro em sebo, mas ganho às vezes livros novos de presente e a-do-ro o cheiro! Tão simples e tão fácil ser feliz.

                      Lógico que contas para pagar, parentes doentes, dor em seu próprio corpo, um luto que custa a passar, uma saudade que aperta, perceber que não tem amigos de verdade, ir para um trabalho em que se é massacrado, alienado e pouco pode transformar, tudo isso significa tristeza. Viver a tristeza  também é algo que a sociedade globalizada do “alegrinho”, não  permite. Outro modelo imposto é o da alegria, como se todos tivessem que sentir a mesma coisa, no mesmo instante.

                          É preciso que retomemos o significado da palavra respeito, ela é uma das palavras mais revolucionárias que temos, quando se tem respeito se tem democracia real, se tem o ouvir real, o sentir real, e, principalmente, o “olhar” real. Com ele é possível se colocar no lugar do outro, dizer apenas o que não irá impor nada ao outro –  muito menos suas próprias crenças – seja na cerveja, seja na cruz, seja na poesia. Usar as palavras para trocar ideias e não “jogar” adjetivos, ou, colocar todos dentro do mesmo modo de vida que escolheu para si. Respeito é a palavra que irá revolucionar este mundo globalizado.

Camila Tenório Cunha

1/12/2011

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8 Comentários

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8 Respostas para “Padrões e imposições de comportamentos: também no lazer.

  1. Estela Maris Ibelli Braga

    Gostei do alegrinho,tem muito na educação….

  2. Estela Maris Ibelli Braga

    Quem ri demais e não questiona ,não sei não……..

  3. Estela Maris Ibelli Braga

    As pessoas deveriam ler Admirável Mundo Novo!!!!!!!!

  4. MOSilva

    Olá Camila.
    Você conhece o Kermit? Ou a Thinker Bell? Ah, sem dúvida o Ursinho Pooh, né? Eles são, respectivamente, Caco, o sapo, a fada Sininho e o Ursinho Puff. Mas e daí? Seus nomes foram “globalizados” para que produtos associados a eles possam ser vendidos no mundo todo. E sem os problemas de nomes locais patenteados. Globaliza-se o mundo para que todos possam pensar, agir e conhecer as mesmas regras das mesmas formas. É mais fácil vender a Barbie se todas as meninas gostarem da cor rosa (cor de menina). E também Hotweels (cor azul é de menino). Padronizar facilita. A venda de produtos e o controle de mentes…
    Abração!!!

    • profacamilatc

      Isso mesmo, o triste é que até pessoas inteligentes às vezes não percebem isso e exigem que todos sigam o padrão! Se milhares de propagandas associam a alegria com a cerveja na TV: “saia para beber e ser feliz”, se você não faz isso é questionado como um ET de Varginha!

  5. Carla C. F. Soares

    Cá, adorei seu texto e concordo plenamente!!! Continue fazendo apenas o que lhe apraz e não se desgaste emocional e mentalmente com esses padrões, tentando modificar formas de pensamento que fazem parte de outros patamares evolutivos, afinal, sempre existirá formas de manipulação em massa, especialidade dentre outros, da propaganda, do marketing… podemos sim e devemos é continuar nosso trabalho (de formiguinha, porém fundamental) educativo com filhos, alunos, pacientes e plantando dia após dia sementes preciosas do nosso almejado respeito, assim como de todos os outros valores morais que nossos Grandes Mestres ensinaram brilhantemente.
    Somos um grupo diferenciado, possuímos a dádiva do conhecimento em todos os níveis (principalmente o espiritual) que aliás, é fundamental, mas, muitos ainda não sabem disso e talvez não descubram nesta vida, o que é uma pena…
    Bj qda!!

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