Páscoa e fé.

            Como fui educada por pais humanistas, comunistas, mas, ateus, não entendo algumas pessoas que se dizem religiosas. Entendo apenas religiosos como Dom Pedro Casaldáliga, Frei Betto, Chico Xavier e outros, que possuem uma religião de prática cotidiana, humanista, com preocupação social.

             Também fui educada para respeitar a diversidade, a fé alheia, as diversas fés. Por isso, quando revelei ser uma pessoa de fé, meus pais  também respeitaram. Mas isso porque minha fé não estava desvinculada de uma preocupação social, coletiva, humanista. Não me alienava da vida, e, suas relações.

               Fico preocupada com os extremos: a falta total de fé – e  – a falta de respeito com quem tem fé, a fé cega em sua própria religião – mas –  que faz desrespeitar quem não tem e quem tem outra fé. Nada e nenhum  destes extremos nos trazem para um equilíbrio saudável de convivência. Porque nada que signifique imposição e desrespeito ao outro é saudável, muito menos, democrático.

                A Páscoa dos hebreus significa a liberdade do povo judeu ao fugir do Egito, onde eram escravos. A Páscoa do cristão, o renascimento. Nenhum destes símbolos estão relacionados com atitudes extremistas de imposição um ao outro. Todos os dois símbolos da Páscoa estão relacionados com liberdade, renovação.

               Devemos agora, nestes tempos, nos libertar de preconceitos, futilidades, preocupações excessivas com aparências, renovar a mentalidade de consumismo desenfreado que nos prende à busca pelo ter – e nos faz infeliz e vazios – em vez do ser : solidário, humano.  Não é possível que possamos ser felizes – de fato –  sabendo que estamos nos destruindo e destruindo nosso mundo – que se renovará um dia – mas a espécie humana talvez desapareça.

              O verdadeiro sentido da Páscoa está longe daqueles que só pensam em lucro, ambição, que enriquecem às custas da fé alheia, que expulsam famílias de seus lares para transformar terrenos em shoppings, que lucram com a doença das pessoas, que poluem nosso ar, que boicotam a educação pública, que roubam.  Enfim, o verdadeiro sentido da Páscoa está longe do jeito capitalista de ser e agir, mas está intrinsecamente relacionada com a liberdade, respeito  e o socialismo humanista.

             Camila Tenório Cunha

              06/04/2012

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