Juventude e mudanças no Rio+20:

Juventude e mudanças:

Existe no jovem uma força aliada à esperança de algo melhor, à certeza de que podem e devem mudar as ordens estabelecidas, e, é esta certeza que o mundo deve aprender a ouvir nos jovens.
Existe em alguns adultos esta força constante e costumamos dizer sobre estes: tem a força de um jovem.
No Youth Blast, evento organizado pelo braço da ONU que está disposta a dialogar com a sociedade civil, vi milhares de jovens reunidos e dispostos a discutir mudanças, um mundo sustentável, sem degradação, sem exploração do homem pelo homem. Vi muitas ONGs, algumas que fiscalizavam seus governos para garantia desta mudanças, jovens negociadores de um futuro e presente coletivo.
Todavia, também vi jovens manipulados pelos seus governos, como alguns que estavam ao lado da União Européia e do medo de avanço nos textos e agendas. Por que alguns jovens entram neste papel de retrocesso? Porque não desenvolveram a consciência crítica, para além das aparências, aquela que nos faz enxergar os subterfúgios, os subjetivos, itens que são facilmente manipulados pelas mídias não alternativas.
Sorte que estes jovens são poucos, a maioria tem trabalhado muito bem com as mídias alternativas e usado esta em favor do coletivo e das mudanças. Como o jovem Diego Lobo do blog “ Este Tal de Meio Ambiente”, etc. Diêgo Lobo estava com outros 130 jovens do mundo do Riocentro representando a sociedade civil.
Hoje em dia a sociedade civil está sendo ouvida pela ONU e ganhou abertura para isso porque o jovem Douglas Ragan (que hoje não é mais tão jovem assim) da ONG que trouxe a pequena Suzuki em 1992, está lá dentro junto à outros jovens. Além disso, agora os Major Groups garantem voz aos indígenas, comunidade científica, agricultores, etc. É preciso aproveitar esta chance de voz.
Fui apenas no primeiro dia dos Diálogos. Na primeira plenária Desemprego, trabalho decente e migrações, vi que  e a renda mínima, o projeto do Suplicy quase não passou. Só passou porque uma jovem gritou para que esta questão não ficasse de fora, esta jovem foi Carola Castro, amiga da minha filha. Ela chamou o Suplicy (da área popular) e este veio e pediu que falássemos. Então Carola explicou que nossos microfones não estavam mais funcionando e o Suplicy conseguiu colocar a renda mínima como emenda. Isso porque todos disseram, durante Youth Blast e as negociações, que não existe sustentabilidade sem quem possa exercê-la com cidadania. Não faria sentido que ela ficasse de fora porque todos ali –  da mesa e da plenária – falavam por algo que caminhava até ela.
A ministra do Meio Ambiente de Barbados disse naquela mesa, que diálogos levam tempo mesmo, que a humanidade é como uma grande família, que às vezes os diálogos levam tempo. Falou que muitas vozes estavam por ali representadas, como As Vozes da Primavera Árabe, as que Ocuparam Wall Street, todos unidos para discutir sustentabilidade. Nosso ministro Patriota disse que desde o início de abril um plataforma virtual estava posta para que a sociedade civil começasse a participação nos diálogos. Daniel, presidente da Une, disse que há uma relação inseperável entre homem e natureza, anda em curso as guerras, mas que a meta fundamental é a erradicação da pobreza. Falou que sua proposta seria um Conselho de Desenvolvimento Sustentável para uma nova correlação de forças e que no centro da agenda global deveria estar investimento em educação.
Todos falaram em mudança de paradigma como algo essencial, que não podemos pensar apenas em desenvolvimento sem pensarmos nos quilombolas, nos indígenas, camponeses, “empoderamento” das mulheres, trabalho decente, tudo isso para a autonomia do cidadão, como valores fundamentais. Todos disseram que o tema da proteção social e ambiental é estratégico. Maurice Strong disse que temos que ter um novo modelo de economia, que precisamos de uma revolução pacífica, distribuir o capital e ir além do tema. No final, todos fecharam com a idéia do renda mínima mesmo, todos falavam a mesma língua: sem cidadania fica impossível haver sustentabilidade e com este modelo econômico atual só haverá mais degradação, do meio ambiente e, lógico, do ser humano inserido nele.
Foi bom perceber que os países pobres – G77 e Brasil – estavam firmes em suas propostas, como a questão de entrar na ONU para democratizá-la, e que se fazer ouvir lá dentro (sociedade civil) foi o caminho certo. Foi bom ver, inclusive, como alguns representantes dos países resistentes (G5) falavam contra seus próprios países, como fez o ex-presidente da ONU na abertura do Rio+20, e, por isso, foi aplaudido em pé. Minha filha (Laís Vitória )escreveu em seu blog (lalavitoria, do word press também) um relatório detalhado sobre cada dia que estivemos no Riocentro, lá ela conta esta e outras  histórias.
A entrada do Major Group, com participação de jovens, cientistas, agricultores, camponeses, indígenas, foi a peça chave para um início de uma era democrática, inclusive numa instituição antes tão rígida e movida por interesses de poderosos, como a ONU. Graças à minha filha de 16 anos, pude estar lá e vivenciar tudo isso, pois ela entrou no Children e Youth, parte do Major Group da ONU e graças à ela pude sentir esperanças de Novo.

Camila Tenório Cunha
20/06/2012
No IFSP, campus São João da Boa Vista.

As Jovens carola Castro, estudante da UFMG, e, Laís Vitória Cunha de Aguiar, 16 anos, ainda estudante do segundo grau, pouco antes de começar uma reunião, no Riocentro.                      

 

Eu, minha filha, sua amiga Priscila e Carola Castro, no primeiro dia de início na Plenária dos Diálogos.

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