Bondade& maldade igual, necessariamente a riqueza&pobreza?

Pobreza&riqueza igual bondade & maldade?

        No Fórum de discussão sobre a bondade inata – ou não – da criança percebi que muitas pessoas recorriam à exemplos de crianças pobres que “superaram e ficaram boas”, “crianças faveladas que não viraram bandidos”, etc. Acho que este caminho é muito perigoso, porque, afinal, não é uma questão de pobreza ou riqueza, mas de valores, diz respeito ao meio cultural que cerca aquela criança.
No sistema capitalista a mentalidade que move o ser humano, diversas vezes, é o lucro individual – ou de uma classe – enquanto as sociedades como, por exemplo, indígenas, quilombolas,  tibetanas, o que move é o valor coletivo, o ser humano, acima do lucro.
Os jovens que queimaram o índio que dormia num ponto de ônibus eram filhos de promotores e juízes, não viam naquele ser humano de uma cultura diferente alguém com valor, o valor para estes jovens estava na posse de  um bom carro, de  roupa de marca, etc…
O jovem estudante que fugiu com o braço do trabalhador ciclista fez isso porque achou que se parasse, socorresse, chamasse uma ambulância, teria o “prejuízo” de ser preso, ou, perder seus pontos na carteira. Uma vida humana para ele teve menos valor.
A jovem que matou os pais com o namorado e o irmão o fez por lucro.
Os dois jovens de treze anos que doparam a coleguinha e a violentaram eram de colégios ricos, um era filho de gerente da filial da rede Globo, mas viu na colega um alvo fácil de suas maldades,  um prazer doentio e  imediato, um lucro, independente disso ser cruel ou não com ela.
Sem falar que a sociedade que mais encontramos jovens violentos é o centro do capitalismo do mundo atual.
Vi que muitos citaram a pobreza como algo ruim, algo como “que mesmo a criança sendo favelada, etc, superou e ficou boa”, citaram Joaquim Barbosa, ora, não é questão de pobreza, mas de valores culturais que esta recebe, muitos na história foram pobres, mas receberam valores humanistas.

       Outros foram ricos e abandonaram a riqueza e os valores dela que achavam ruins, como São Francisco de Assis, que abandonou e questionou seu pai burguês que vivia da riqueza produzida às custas de pessoas exploradas na fábrica de tecidos dele, isso porque da mãe, da amiga Clara, recebera valores contrários ao do pai burguês.
O que prejudica e leva à maldade  são os valores culturais que cercam a criança, um valor de lucro individual acima de tudo, com certeza prejudica e pode levar à maldade, pois os fins justificariam os meios. Valores como das crianças educadas no Tibet, onde toda ação é uma busca da bondade, onde todo ato é de plena responsabilidade de cada um pela paz coletva, caminham no sentido da generosidade. Um sentido que as crianças americanas, que possuem lar, riqueza, contudo ganham armas cor de rosa ou azuis aos cinco anos, talvez não caminhe. Talvez ali os valores sejam regidos pelo Ter e não Ser (bondoso, generoso, honesto). Portanto, não está na pobreza, no meio que cerca a criança o mal, mas nos valores que são trabalhados com ela, reforçados por escolas, meios de comunicação, religiões, pais, parentes, amigos, toda uma sociedade em suas diversas frentes.
Lógico que temos dentro nós , desde crianças, maldade (egoísmo, violência, nenhuma vontade de ouvir ao próximo, etc) e bondade (altruísmo, tolerância, vontade de dialogar,etc), como dizem os indígenas americanos, temos dois lobos – do amor e do ódio – depende de qual deles trabalhamos para alimentar, no caso da questão, depende de qual deles ensinamos nossas crianças a alimentar.

Camila Tenório Cunha, 14/06/2013

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1 comentário

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Uma resposta para “Bondade& maldade igual, necessariamente a riqueza&pobreza?

  1. Ana Consuelo

    Ótima reflexão, Camila.

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