Paz e democracia, faces da mesma moeda.

Paz e democracia:

 

Não é possível ter paz sem democracia e nem democracia sem paz. Não, muitos dirão, a democracia se faz por meio de resolução de problemas, diálogos, leis, debates, reflexões e análises em conselhos, projetos, leis, ou seja, com conflitos. Só que o conflito que se faz num debate, numa discussão, na busca de soluções como  reformas de leis, plebiscitos, projetos, não é o conflito que nos afasta da paz! O autoritarismo imposto, o silêncio que cala e prende, que censura, que tortura, como tivemos na ditadura militar no Brasil, por exemplo, este está bem longe da paz. Por que? Porque há violência. Esta palavra é a linha divisória entre paz e a não paz: a violência.

A violência em toda história humana trouxe muitos problemas, traumas, dores, lágrimas, e nenhuma resolução de problema! Apenas mais problema.

Podem citar a Revolução Francesa e falar que para a burguesia houve solução de problemas, muitos dirão que apenas para a nobreza houve violência. Engano, a violência tem muitos ramos invisíveis. Será que muitos não foram para a guilhotina por alguém que inventou que era um traidor por mero rancor de alguma pequena briga de vizinhos? Será que muitos não perderam amores proibidos juvenis entre um nobre e uma plebéia?

Depois passou um tempo e o problema continuou, a França entrou em crise e um novo autoritarismo se instalou com Napoleão. Passou outro tempo e mais problemas, aliás, se formos olhar para o povo, através dos relatos de Michelle Perrot, no livro “Os excluídos da História”, veremos que povo francês esteve sofrendo todo tempo, sem paz, com violência das prisões, com a exploração das fábricas, das mulheres. Houve apenas mais institucionalização de violências contra os oprimidos por muito tempo naquele país! Então, ao contrário do que muitos pensam: as guilhotinas não serviram para solução real nenhuma à maioria, apenas para traumas.

Na história da humanidade todo poder tomado por violência resultou em traumas e menos soluções, quando Gandhi resolveu brigar pela independência com a paz, mesmo que muitos oprimidos tenham morrido metralhados, o olhar do mundo se voltou contra a Inglaterra. Depois disso houve uma luta pacífica, cheia de conflitos, negociações, mas com a abertura de possibilidade de transformação sem o uso da arma.

Temos que falar que muitos líderes espirituais na história da humanidade pregaram contra a violência, Jesus mesmo, todavia, muitas guerras já ocorreram usando o nome dele.

Temos que falar que a idéia da Revolução Russa também foi algo muito lindo, porém, como tudo se fez pela violência logo um estado autoritário assumiu o controle e muitas pessoas morreram. A violência, aliás,  não se faz apenas por armas e tiros, quem leu Dr. Jivago sabe o quanto o tio do personagem se sentiu agredido por ter que dividir sua casa com centenas de pessoas. Quem leu o Palácio de Inverno pode ter uma pequena idéia da violência sofrida pela família do Czar. Sem discutir a monarquia que é algo ultrapassado, todavia, aquela família estava disposta a viver longe, como pessoas comuns, por que matá-los? Por que matar quem pensa diferente? Disso só pode nascer um outro tipo de violência e de toda violência, como já disse, vem a ausência da democracia e assim, mais violência.

Temos que falar do horror do holocausto, de Hiroxima e Nagasaki, tudo só começa a melhorar quando percebemos que a raiz de todo problema está na violência e que para isso teríamos que lutar por uma justiça universal, que garantisse a não violência, psicológica ou física, de qualquer ser humano. Tudo na história humana começa a ir por uma nova diretriz quando surgem os Direitos Humanos e a luta por eles, isso somente após a segunda guerra mundial (eu me recuso a colocar algumas coisas que abomino em letras maiúsculas, embora a gramática peça).

Está na hora da humanidade tentar outro caminho para suas mudanças. Acho que ver no Rio+20 comunidade científica, governantes, povo, provarem o quanto a ciência sustentável pode ajudar a nos mantermos vivos, soluções agrícolas em assentamentos de sem terra, o quanto estes podem trocar de informação com a ciência… Troca de informações, diálogos, pressões pela maioria com projetos, paz, letras e – de novo –  troca entre povos, trouxe-me uma certeza de que não há outro caminho, senão este para a paz.

O diálogo sempre pode trazer soluções, um consenso bom para todos. Foi difícil dialogar países pobres e ricos, havia grande endurecimento dos ricos, contudo, inclusive com pressão da sociedade civil trazida por e para  esta ONU (que finalmente se aproxima do que foi a idealização dela), chegamos num acordo em meio do caminho.

Há ainda o que fazermos e sempre há pressão econômica por trás de tudo, quando vi que os países pobres conseguiram muito mais do que esperavam no Rio+20, esperei um golpe financiado pelas mídias e as empresas em alguns deles, temi pelo nosso. Porém, logo ocorreu um aqui no Paraguai. Aliás, as TVs daqui passaram um décimo do que foi o Rio+20 e tentaram vender uma imagem de que tudo lá estava afastado do que ocorria na Cúpula dos Povos, o que não foi verdade. Umas pessoas lá jogaram fora seus crachás porque queriam mais, só que é melhor caminhar um pouco com paz e diálogo, deixando caminhos abertos, do que retroceder.

Não estou sossegada se poderá haver ou não um tipo de golpe da direita em nosso país, porque com as pressões das mídias, a educação há mais de vinte anos nas mãos de partidos que não a valorizam (como aqui em SP) as pessoas ficaram facilmente manipuladas. Acomodaram-se muito em não buscar informações fora dos jornais televisivos, lêem uma figura montada nas redes sociais e não pesquisam para ver se aquilo contêm alguma verdade, deste modo,  apesar deste ter sido o governo federal que mais fez na história do país para o povo, nada sobre isso é divulgado. Eu me lembro de uma famosa figura da rede social, com a faculdade de Piracicaba (ela é uma antiga fazenda muito linda) em que diziam que era do Lulinha, ninguém foi pesquisar e a imagem se perpetuava. Assim como boatos: “olha, aquele sítio é de fulano, aquela fazenda é de beltrano”.

O perigo disso é que as pessoas acostumam a acreditar  e sentirem ódio, simples assim, sem pararem para refletir. Acreditam nisso: todos os políticos são iguais, tudo é uma droga, vamos acabar com tudo.

Disso temos o que vimos: estátua de Zumbi quebrada, pneus queimados poluindo atmosfera, ônibus queimados. Frases construídas pela mídia como “a esquerda não existe mais, agora somente as empresas mandam”. “Podemos destruir tudo – que está tudo ruim – para começarmos de novo”. “Abaixo a ditadura” gritaram outros.

Espera, estamos numa democracia, o congresso está aberto, os e-mails dos políticos para serem pressionados expostos nos sites, os movimentos populares estão em constante diálogo com políticos governantes. Nunca o governo federal deixou de ouvir a juventude, como muitos pensam. Sei disso porque tenho filha jovem, com amigos que estão por lá, se fazendo ouvir. Tanto  que já estavam há anos – acordados –  discutindo o Estatuto da Juventude.

Somente estas coisas não são divulgadas. Não ensinam também a fiscalizar – através do portal da transparência – quanto foi: para saúde, educação, mobilidade urbana para cada município. Aliás, os cidadãos deveriam exigir que cada município cumprisse a lei federal  que exige que todos coloquem na internet suas contas e gastos.

Se soubessem disso muitos teriam visto o passado e o presente e saberiam que várias pessoas estão acordadas faz tempo exigindo estas transparências, e, o que nos falta é participar cons-tan-te-men-te. Os canais de diálogos estão abertos faz tempo, ao contrário do que muitos alienados pensam: não estamos numa ditadura.

“Mas a PM paulista bateu”, quem manda nela, ao contrário do que a mídia divulga, é o governador de SP, não a Dilma.  Por falar nisso, a PM paulista tirou pessoas do Pinheirinho com extrema violência e eu vim – até por aqui – pedir mobilização social por eles. Inclusive nesta violência o secretário de habitação nacional (da Dilma) levou um tiro de bala de borracha e foi ferido. Ele esteve com a comunidade do Pinheirinho comemorando um dia antes com um pedido de desapropriação contra seu dono,  acima do juiz estadual que realizou o massacre naquele domingo sangrento. Todavia, a PM paulista se recusou a ver este documento e ainda atirou no secretário nacional de habitação. Nós denunciamos por aqui, mas fora a Record nenhum mídia falou naquele assunto. Hoje tudo isso está sendo investigado, mas as Tvs não dizem, pois os culpados: PM paulista, prefeito e governador, estão sendo processados por crimes contra a humanidade, mas por alguma razão não interesa para as televisões divulgarem isso. E na época ninguém foi às ruas em solidariedade ao que houve. Dormiam porque assim a mídia queria.

Fica a pergunta: será que acordaram mesmo ou só acordaram para estragar uma festa – a Copa da Confederações –  que a direita achou que poderia ser boa para o atual governo? Será que lutarão por Reforma Política? Lutarão por Reforma Tributária?  Estão fiscalizando: os políticos que votaram no senado, deputados, as prefeituras, ou continuam dormindo como a direita – e suas tvs – gostam?

Esta dúvida veio depois que as mídias tiraram a legitimidade das passeatas organizadas por sindicatos, que apoiavam a Dilma, pediam Reforma Política, regularização das mídias, e estas tvs diziam: esta não é do povo. Ora, então o povo não pode se organizar como trabalhador? Então se a pessoa é de sindicato, associação de bairro, conselho de saúde, movimento jovem, negro,  mulheres, não é do povo? O que é do povo? O que a mídia manda? O que ela faz acreditar que é?

Na passeata em São Bernardo do Campo dia 11/07/2013 alguns mascarados surgiram e as pessoas gritaram “cara limpa, cara limpa”. Então, não houve violência.

Todavia, algumas denúncias já foram feitas: uns mascarados eram seguranças da Globo, outros membros de grupos de extrema direita. Estes que incitaram a violência durante as manifestações na Copa das Confederações. Estes que devem ter quebrado a estátua de Zumbi, porque ser esquerda significa saber o que – simbolicamente – aquela estátua representa, deste modo, não pode ter sido ninguém de esquerda.

Ao contrário do que as Tvs divulgam, ainda existe esquerda sim.

Na Itália ela é representada por aquela ministra que foi vítima de racismo e luta contra este e vários outros preconceitos naquele país.

No Brasil ela é representada pelo atual governo federal que em dez anos retirou quarenta milhões da miséria, colocou um milhão e meio de jovens em universidades através do PROUNI/FIES, construiu centenas de universidades e escolas técnicas, distribuiu livros didáticos também no ensino médio, construiu centenas de creches, algo que antes ficava à cargo das prefeituras… Falar nelas, vaia representadas pela direita, porém, este ano, só este ano, irão 20 bilhões no total para as prefeituras. Esquerda representada por outros partidos que também lutam por reforma agrária, justiça social, retirada de privilégios de políticos, saúde pública gratuita e humanizada, escola pública boa. Direita por partidos que tentam terceirizar a saúde, como por exemplo PSDB aqui em SP.  Estão contra o povo, direita. Simples assim.

Só que as mídias não ajudam, confundem, não passam informações, estimulam violências. É preciso entender a importãncia de se  buscar informações em sites, no portal da transparência,  procurar saber os dias dos Conselhos de Saúde da sua cidade, ver quanto tem de verba, discutir, aproveitar nossa democracia. Democracia que existe, assim como conflitos, diálogos, mas há espaço para eles.

Se os governos estaduais estão com suas PMs autoritárias não seria hora de participarmos dos conselhos de segurança também e lutarmos para uma mudança nelas? Quando houvesse abuso não seria interessante nos unirmos e protestarmos? Por que não protestamos quando houve o massacre do Pinheirinho?

Não tem outra saída para uma transformação profunda e sem traumas: apenas  a paz e a democracia! Democracia que se faz com vigília, participação, o equilíbrio entre todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário).  Paz e democracia nos traz  um caminho a percorrer, com a falta de uma delas andaremos em círculo e não sairemos do lugar.

Camila Tenório Cunha

15/07/2013

P.S.: O escritor prêmio Nobel, Elias Canetti, em seu livro “A Língua Absolvida”, narra um momento em que está com sua mãe numa calçada no final da primeira guerra. Então os dois percebem que dois grupos estrupiados de soldados inimigos se aproximam. Mãe e menino ficam em choque, pois estão no meio dos dois grupos. Encostam numa vitrine e assistem. Os dois grupos se cumprimentam levantando suas muletas, como quem diz: “Nós, apenas vítimas destes que bolam as guerras”.

As violências sempre atingem ao povo, jamais aos ricos.

Escrevi tudo isso porque alguém me disse – pouco antes de entrarmos de férias – que acreditava apenas na destruição de tudo por violência, no povo tomando o poder à força, por isso ele estava nas “manifestações”.

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