Educação para a paz, educação para valores humanistas:

Ontem estive num hospital conhecido por combater o câncer, estive em uma sala de espera lotada, tantas pessoas lutando para viver. Na TV vi imagens que não pude entender, pois ela estava sem som e sua serventia era avisar as senhas chamadas. Nestas imagens vi carros e bancos sendo quebrados, destruídos. Então, uma reflexão surgiu em minha mente: como tantas pessoas continuam se iludindo que a vida e as soluções para os problemas dela passam pela violência se outras centenas, bem próximas de nós, apenas lutam para viver, ou pelo menos sentir menos dor?
Leis, regras, foram feitos para serem melhoradas, transformadas, todavia, há tempos o caminho da violência não é a solução na história humana e tenho insistido nisso neste blog porque fico profundamente incomodada das pessoas acharem que é o único. É o único que comprovadamente não funcionou.
A violência e a crença de um homem nela como algo normal, natural, destruiu em parte a vida de uma mulher chamada Maria da Penha, esta mulher lutou com inteligência, sem jogar uma pedra, apenas palavras e hoje várias mulheres podem ser ajudadas com isso. A violência contra a mulher continua ocorrendo porque vivemos numa cultura – mundial – de apologia a ela, uma “masculinidade” deformada e doentia, que liga o ser “homem” ao ser “violento”, todavia, a idéia é impedir novas atrocidades através da Lei. Além disso, a discussão estará sempre presente e a Lei Maria da Penha sempre poderá sofrer melhorias, assim como nossa sociedade.
A apologia à violência não passa por dar armas de brinquedos coloridas para as crianças, isso é violência simbólica, é brincadeira tanto quanto chutar a bola ao gol. Passa por ensinar uma criança a odiar, a não conversar, a não aceitar opiniões, crenças, etnias, opções sexuais diversas, enfim, a não aceitar o que é diferente ao hegemônico, e, deste modo, ver a diferença  como parte natural da convivência entre seres humanos. E a violência é hegemônica, o pai ensina a odiar, simplesmente odiar, isso é violência. E essa opção pelo ódio ao diverso é que ensina a violência, não uma arma colorida de água.
Mudanças na Lei, reformas políticas, a lei de cotas raciais, reforma judiciária, tributária, tudo isso mostra um caminho que não passa pela violência e – ao inverso – a violência só nos afastará de melhorias concretas. Melhorias  como as que já tivemos nestes últimos anos: de diminuição da mortalidade infantil, de combate à fome, de aumento do nível e escolaridade, etc. Se há muito mais para fazermos, então teremos que parar de quebrar, incendiar e uma hora sentarmos como adultos num mundo adulto e não mais nos comportarmos como crianças birrentas que não sabem conversar.

Camila Tenório Cunha
08/10/2013

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