Deus.

  Uma vez meu irmão mais novo respondeu ao falarem para ele ir dormir com Deus (ele devia ter uns 3 anos):

 – “Eu não, aqui na minha cama só cabe eu e meu ursinho.”

   Não fomos educados para sermos religiosos por nossos pais, embora isso não se aplique aos nossos avós, todavia fomos educados para sermos solidários, gentis, humanos. Talvez por influência de minha avó paterna eu sempre tive fé e tinha em Jesus um amigo invisível que sempre me consolava e ajudava quando precisava. Gostava dele.  Eu me lembro de um diálogo muito engraçado com uma amiga da mesma idade quando eu tinha uns sete anos:

– Super Man é mais poderoso que Jesus! – ela me disse –  pois ele voa.

– Só que Jesus cura, Jesus é mais poderosos que Super man. – respondi.

– Mas ele morreu crucificado. – ela rebateu.

– Mas apareceu vivo depois de três dias. – rebati.

   Não me lembro mais como terminou nossa discussão teológica aos sete anos, mas este trecho nunca pude esquecer e depois que cresci sempre achei graça.

   Nunca consegui fazer catecismo porque não gostava de padres falando em inferno, diabo, achava que davam mais valor ao vilão da história do que ao mocinho. Por que nunca falavam de Jesus?

  Na verdade, bem nova, frequentei várias religiões, entendia a boa vontade de todos em se aproximarem de Deus, mas percebia que Deus não estaria num templo, achava que os indígenas, em perfeita harmonia com a natureza, pareciam compreendê-Lo bem melhor.

Um colega professor, da época que fui professora de educação física no ensino fundamental,  me disse: “Sou poliregioso.” Ecumênico, eu perguntei?

–  “Não !” – ele respondeu – “Ecumênico tem alguma religião mas comunga bem com outras, eu não tenho nenhuma, tenho todas porque acho que todas tem alguma coisa de bonito, o budismo tem coisas lindas, o cristianismo… “

Concordo com ele e queria ter coragem de responder isso por aí, mas sempre nos obrigam a fazer uma escolha. Lá pelos aos 14 anos comecei a estudar Allan Kardec e foi a religião que mais me trouxe respostas lógicas, embora também goste de alguma coisa em alguma. Estudando Allan Kardec que achei a resposta para o que é Deus: onipresente, onisciente, Criador de tudo, etc….

       Mas mesmo tendo estudado isso, nunca pude entender direito o que era Deus? Como assim um Criador de tudo? E que O criou? De onde? Como?

       Todavia, apesar de nunca ter entendido direito, está claro que esta Força é Amor, que as pessoas na história, de diversas religiões, que mais se mostraram perto Dele, foram as que mais amaram: Jesus (que era judeu), Gandhi (que era hindu), Madre Tereza de Calcutá (era católica), Luther King (protestante), Chico Xavier (espírita)…etc

       Todos Amaram, amaram muito a humanidade, o justo, perdoaram, foram pacíficos, verdadeiros. Então, Deus é uma Força  para estar em contato com Ele basta estar equilibradamente em Amor. Nos afastamos Dele quando nos afastamos de atitudes de Amor, paz, fraternidade, perdão, e assim, sofremos. Não basta ir para um templo para estar perto Dele, como dizem nas missas: “Ele está no meio de nós”. Não acho que no meio fora de nosso corpo, está no meio “mes-mo”, dentro de nós.

        E quando um padre no casamento diz aos noivos: “O que Deus uniu o homem não separa”, está se referindo aos casamentos com Amor, pois os que não têm Amor, só atração física ou interesses materiais, uma hora separa.

       Deste modo, estar próximo de Deus é praticar amor, resolver com diálogo os conflitos, como aqueles grandes homens que citei resolviam, sem se deixar levar pela raiva do orgulho ferido, pelo ódio, pelo medo. Esta força Maior está em todo universo e funciona como uma força que harmoniza, equilibra, une. Se afastar desta Força de Amor, é buscar sofrimento para você e para os ouros, simples assim. Deste modo, toda e qualquer religião pode nos trazer para ela ou nos afastar dela, depende do grau de Amor. Encontramos em várias religiões a dica sobre esta Força de Amor, todas pedem para perdoarmos, para fazermos aos outros – exatamente – o que gostaríamos que nos fizessem, sobre ação e reação, todavia, por não entender estas dicas, que levam ao equilíbrio, à paz e ao amor: sofremos. Deus não quer realmente que soframos, ele está em nós, dentro de nós! Todavia,  encontrá-Lo nas ambições e orgulhos cotidianos, é que fica difícil, ainda mais se não houver um esforço.

     Deus não é “alguém” que fica bravo porque faltamos na missa, mas pode compreender nosso ódio à pessoa do time adversário, Ele é Amor, e amando, compreendendo, deixamos que uma energia maior se manifeste e tome força em nós, ficamos em perfeito equilíbrio. Odiando, sufocamos esta Energia, nos desequilibramos e depois sofremos.

      Por isso temos pessoas lindas de diversas religiões (Jesus, Gandhi, Luther King, Chico, Madre Tereza, Irmã Dulce, etc), todas tinham em comum o Amor pelas vidas, pela humanidade, a solidariedade, a falta de preconceitos, a busca pela justiça e paz em ações. Todas viam Deus em si e em cada criatura viva, eram desprovidas de ganâncias, ódios e outras energias que nos desequilibram. Amando Deus no outro: namastê, o Deus que mora em mim saúda o Deus que mora em você.

     Aquele juiz que escondeu provas de inocência para se promover condenando, os jovens black blocks que jogaram colchão pegando fogo num fusquinha com pessoas dentro: estas pessoas estão bem longe de Deus, do Amor. Aliás, tudo que destrói se distância Dele, pois se distância do Amor.

     Quer ficar perto de Deus: mantenha o caminho do Amor, da Paz, do perdão.

Camila Tenório Cunha, 02/02/2014

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2 Comentários

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2 Respostas para “Deus.

  1. Ana Consuelo

    Sábias palavras, Camilinha. Saudades.

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