Livro “Revoluções da minha geração”, Herbert de Souza (Betinho): todo jovem atual deveria ler.

       O livro “Revoluções da minha geração”, de Herbert de Souza, deveria até ser leitura obrigatória dos vestibulares. Não é biografia simples de Betinho, o pai da campanha Fome Zero. Aliás, tenho comigo um livrinho histórico dele com o Lula que circulou muito tempo dentro do PT para seus militantes, era um plano de combate à miséria e à fome. Como Betinho dizia: quem tem fome, tem pressa. Tenho a impressão que ele ficaria bem feliz de saber que quando Lula entrou tínhamos por volta de 50 milhões de miseráveis e que o plano dos dois está funcionando: agora estamos com uma média de 17 milhões para combater. Mas este livro da editora Moderna, Revoluções de minha geração, é importante porque permite uma visão histórica e a falta de visão crítica da história é um perigo. 

       Não conhecer história é extremamente perigoso porque podemos repetir os erros e parece que os jovens estão sabendo bem pouco de história. 

       Vou dividir alguns pedacinhos do livro: 

      ” Era difícil para aqueles que debutaram na política em 1962, compreender, após somente dois anos de experiência estudantil e um ano de experiência nacional, a tragédia que pairava sobre um dos mais importantes períodos da história brasileira. Existia a possibilidade de se optar não pelo engajamanto de uma revolução socialista, mas por uma posição mais nacional. Existia a possiblidade de se alcançar uma democracia real e uma política internacioal, se não independente, ao menos neutra no contexto da América Latina” . (…)

          E ele continua com um capitulo chamado ” E a história parou”:

         ” Os militares não esperavam vencer tão facilmente. Acreditavam que houvesse um dispositivo de comando que levasse adiante uma contra-ofensiva. Em 1961, no momento da crise institucional, esse comando estava presente, a tentativa de golpe fracassou: a guerra civil foi evitada. Em 1964, se ele tivesse existido, mesmo regionalmente, teria organizado, de maneira decisiva, a resistência em nível nacional, e o destino da Brasil seria outro. (…)

         Hoje temos pesquisas, como a da historiadora Denise de Assis, que comprovam que a direita organizava informações por cinema, jornais televisivos e escritos, de um Brasil “caos”, sem as boas novas das reformas, apenas notícias ruins, bagunças, greves como algos nefastos e não parte da democracia, “risco do comunismo”, para ganhar apoio da classe média, deste modo, quando o golpe ocorresse a classe média estaria à seu favor. 

       E Betinho continua adiante: 

          ” Esperávamos nossa revolução, mas, em seu lugar, veio a “revolução” proclamada pelos militares. Até então, o processo era liberal, democrático. (…) Nada era perfeito. restava muito a fazer, sobretudo as reformas de base. (…) Antes do golpe, as reformas estavam na ordem do dia: agrária, bancária, urbana, sanitária, educacional, etc. , todas necessárias para um Brasil efetivamente democrático, autônomo, independente. ” 

        Lógico, um Brasil que não interesseva aos EUA, que já perdiam o “mercado” Cuba, e outros que se tornaram “socialistas”, além disso:

       ” Os setores dominantes da elite brasileira não estavam dispostos a repartir seus extraordinários privilégios. Eles levantavam suas bandeiras contra o comunismo, a inflação e a corrupção! Conquistaram a classe média, sempre com medo do povo, e o golpe de estado foi dado. Resultado: um desastre para a democracia, um sucesso para importante setores dessa elite, daqui e de fora. ” 

         Adiante, Betinho continua sobre algo que se estenderia até a escrita do livro, em 1996, governo FHC:

        “O Brasil foi pioneiro do neoliberalismo. Todo poder aos interesses privados e ao mercado.” (…) Foi uma longa história. Em trinta anos, houve uma concentração de renda sem precendentes. O estado foi privatizado e realizou grandes projetos que serviram aos grandes interesses. A pobreza aumentou e a indigência se desenvolveu, mostrando hoje, sua cara: 32 milhões (…)”

         Neste momento o autor analisou o dano social, político e econômico que culminava em 1996 com 32 milhões de miseráveis. Quando falamos de miserável falamos de alguém que está abaixo da linha da pobreza, o que significa fome, muita fome, a preocupação central do sociólogo na época. 

       Hoje somos um país premiado pela Unesco com combate à mortalidade infantil, diminuição da miséria, da concentração de renda, só que os jovens estão confusos e não podem compreender que isso veio como um fruto de um processo democrático, da saída do esquema neoliberal praticado até a época de Fernando Henrique Cardoso, que nos colocava numa inflação diária que equivale a nossa inflação anual agora. Os jovens não conseguem compreender que devem ler e ver além do que seus pais lêem e vêem. Pois estas mídias são as mesmas que sempre foram controladas por aquela elite que conseguiu o golpe de 64 com manipulação de informações. Por isso é preciso ler as alternativas como Carta Maior, Caros Amigos, Revista Fórum e outras para aprofundar os assuntos, sem medo da leitura.  Também não conseguem compreender que violência não constrói e nunca construiu nada ao longo da história humana à não ser dor extrema que se irradia. 

        Agora, algo que podemos compreender é que a violência policial, a preguiça dos jovens para uma leitura profunda, a superficialidade nas artes, a banalização da violência, a injustiça que vemos com as classes mais desfavorecidas: tudo isso ainda é fruto daquele golpe que durou 30 anos. Só me pergunto: será que os jovens que queimam ônibus, acertam rojões em cabeças, queimam fuscas, gritam contra uma Copa (que se fosse um governo de direita no poder todos estariam quietos) sabem disso? 

 

Camila Tenório Cunha

13/04/2014

        

        

      

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