Artigo sobre petróleo e suas consequências, de Lais Vitória:

Era para ser apenas mais uma tarde no congresso americano, em Washington, mas não foi:

-É real, e está chegando. – Finalizou o doutor Hansen em seu discurso ao congresso em 1998, alertando sobre o aquecimento global e o efeito dos gases efeito-estufa.

Há muito tempo o mundo sabe a respeito das consequências de suas atitudes em relação ao planeta, pode até ser que não soubessem de todo panorama global, mas do principal eles sabiam: Arrehnius, já em 1896, constatou que o CO2 iria aquecer o planeta, e mais: o aquecimento previsto por ele para acontecer em 500 anos pode acontecer em apenas 150.

Além disso as extremas temperaturas, que costumavam ser exceções, hoje são normais, como mostra o gráfico do doutor Hansen.grafico

As ondas de calor que aconteciam uma a cada cem vezes, estão ocorrendo cinquenta vezes em mil, ou seja, 5% do tempo, e até mesmo cem vezes a cada mil, 10% do tempo.

A temperatura já aumentou quase um grau Celsius, se compararmos com a Era Pré-industrial, e ela continuará aumentando em padrões alarmantes se não tomarmos algumas atitudes. Mesmo que parássemos agora de produzir os gases efeito-estufa, a Terra continuaria a se aquecer, pois precisa encontrar seu novo estado de equilíbrio.

Nosso planeta terá que ser mais quente para equilibrar a radiação que vem com a que vai, todavia, até a Terra encontrar seu novo estado de equilíbrio, o calor está preso por aqui, já que o ambiente terrestre tende a aquecer mais rápido que o oceano, por isso o aumento de temperatura levará tempo.

Isso não quer dizer que não precisamos nos preocupar, já que quanto mais dióxido de carbono liberarmos para a atmosfera, mais tempo  Terra demorará para encontrar seu equilíbrio, assim maiores e mais frequentes serão os desastres hidro meteorológicos (desastres que podem ter sua frequência e intensidade alteradas por nós):  secas e enchentes,  como ocorre hoje no Brasil, ciclones tropicais como o Sandy.

Não são somente desastres físicos, mas também políticos, que podem carregar no seu âmago a mudança climática. É lógico que é necessário mais do que os desastres físicos para acarretar um político, porém a mudança climática pode ser apontada como causa.

O caso da Síria é bem claro, após quase dez anos de seca, com o aumento do êxodo rural, com a falta de comida, com os preços dos alimentos altíssimos, houve a Primavera Árabe, que teria sido positiva se não tivesse como resultado a violência, que deu origem a guerra. Até agora foi contabilizada a morte de mais de cento e sessenta mil pessoas.

Enquanto isso, nós aumentamos a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, aumentando também as chances de conflitos como esse. Por ano, de 2000-10, emitimos 2,2 toneladas equivalente de CO2, e, por acaso, 1972 não é apenas o ano em que o primeiro acordo climático foi selado, mas também foi o ano em que a quantidade de CO2 liberada na atmosfera começou a aumentar drasticamente: 1,2 tonelada de dióxido de carbono por ano até 2000. Irônico, não?

A liberação desse perigoso gás para a atmosfera vem de diversas fontes, e principalmente dos setores de energia (47%), indústria(30%), transporte(11%) e construção(3%). O que todos tem em comum? Todos utilizam combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, para produção de seus produtos.

Para ter uma noção, um carro produz em média duzentos gramas de CO2 por quilômetro rodado. É uma ameaça a nossa economia e habilidade de adaptação, pois causa acidificação dos oceanos, aumento do nível do mar (ameaçando as cidades costeiras), mudança na temperatura, entre tantas outras Fronteiras Planetárias.

Mudanças como a acidificação do oceano já significaram, no passado, extinção em massa, e atualmente já aumentamos, em relação ao nível pré-industrial, em 30% a acidificação dos oceanos. Lembrando que boa parte da nossa base alimentar vem dos oceanos.

Mas, afinal, qual o impacto global do petróleo? Há algo que possamos fazer? Como já disse, o petróleo tem impacto em todos principais setores que emitem CO2, além da poluição, da perda de água (o CO2 vai com o ar quente, que desce para a área mais próxima da cidade, enquanto o ar frio, que poderia trazer a chuva, permanece na área mais alta, longe.), perda da biodiversidade.

Nós podemos passar a utilizar fontes de energia renováveis, como a eólica e solar, apesar do preço do petróleo estar tão baixo, assim como o preço da gasolina. A intenção dos grandes donos de empresas petrolíferas é justamente fazer com que não utilizemos as energias renováveis, para fazer com que as empresas venham a falência.

Podemos utilizar menos carros e mais transportes coletivos, podemos apoiar empresas e faculdades que estão deixando de investir nos combustíveis fósseis.

É o momento de mudarmos nossas atitudes e pensarmos globalmente para que o futuro seja melhor que hoje. Como você prefere ser lembrado? Como parte de uma geração que permitiu o aquecimento global ou que lutou contra ele? O futuro pertence ao presente.

Laís Vitória Cunha de Aguiar, 19, ativista ambiental desde os 12 anos, estudante de direito.

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