Borboletas

      Todos nós sabemos que durante várias etapas da vida somos como as borboletas em nossas almas: devemos largar velhos defeitos e nos renovar.

      E a cada tempo devemos ser borboletas, deixar de nos arrastar pela terra e alçar vôos na alma, ou seja, olhar para dentro.

       Isso porque é muito difícil ser feliz olhando e acreditando apenas no mundo material, palpável, fútil diversas vezes…

       Triste demais acreditar que viver é apenas “curtir”, beber, ter prazeres físicos, bens materiais…

        Porque a idade chega, crises econômicas chegam, até a força da natureza pode chegar …

        Tudo para nos lembrar de que deve haver mais coisas neste mundo, que não enxergamos, mas que podemos aprender a sentir. Como quando senti imensa alegria depois de uma prece, aos 13 anos numa mesa de cirurgia, com o sorriso de um médico vestido diferente dos demais, idoso… Percebi que era importante aprender a sentir o além, principalmente quando depois soube que o mais velho da equipe cirúrgica tinha uns 40  anos.

       O mundo não é apenas este que olhamos e somos incitados a consumir, ele é além disso!

       É urgente acordar para isso, aos 13 anos, acordei. Só que é preciso “re-acordar” a cada ano, dia.

       E para isso é preciso que olhemos para dentro para nos conhecer. Conviver por anos com uma pessoa em trabalho, grupos diversos, muitas vezes não é o suficiente para conhecê-la, não?

       Porque apenas o cotidiano inesperado nos permite conhecer verdadeiramente as pessoas.

       Como agimos em situações de desacordo: gritamos ou falamos com calma?

       Numa frustração há irritação ou somos capazes de buscar o lado bom?

       Vemos os erros dos outros como algo imperdoável ou toleramos porque sabemos que também já erramos muito para crescer?

        Sabemos lidar com conflitos conciliando aqueles que estão nervosos?

         Fiquei muito triste ao ouvir uma pessoa elogiando outra apenas porque esta outra era rica.

         Há algo maior nesta vida e ela não está na casca de alguém ou nos bens que este alguém possui.

      É urgente que entendamos isso, nosso mundo perece em poluição e fim de recursos naturais porque o valor do consumo esteve em alta por anos. A vida fútil dos ricos ditava os valores dos demais, deste modo, deixamos de ser cidadãos para sermos consumidores.

           Estive triste com esta visão materialista outro dia.

       Conversei com Deus perguntando se já não podia ajudar ao mundo estando em outro plano. Foi uma crise existencialista num domingo em um parque.

         Parque onde pude observar a vida e ao mesmo tempo que ela me encantava nas crianças e natureza, trazia angústia na futilidade de alguns adultos.

         Antes que pudesse ficar triste um grupo se reuniu num quiosque e um cantor chamado Arun tocou mantras.

         Ali meditavam pela renovação – real – mundial.

         Os mantras se alternavam com as palavras de luz de Arun.

         Num destes momentos pude sentir uma cócega na mão, abri os olhos e era uma borboleta.

          Ela estava ali para me lembrar sobre a renovação que deve ser constante

         …Mas também para acalmar minha crise existencial: borboletas vivem 24 horas e sua curta vida tem um propósito na vida, na natureza, no mundo.

          Nossas vidas são curtas se comparadas com a eternidade e embora não saibamos muito sobre nosso tempo aqui, sabemos que deve ter um propósito também...Na vida, na natureza, no mundo.

         Foi uma benção o pouso da borboleta em minhas mãos,  um ato de Amor, do Amor que nos faz  verdadeiramente felizes.

Camila Tenório Cunha

08/06/2015

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4 Comentários

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4 Respostas para “Borboletas

  1. Elaine Cristina dos Santos

    Adorei Camila, o seu texto me trouxe muita paz!!!

  2. Maria Luíza

    Muito bom, Camila. Muito sensível.

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