Voltando ao Brasil colonial.

     Vivemos agora numa crise desproporcional de controle de manipulações de informações, abuso de poderes judiciários, mais uma vez a tentativa de entrega do país (por parte de nossas elites) aos capitais internacionais, tudo ao mesmo tempo.

         Neste caos preciso ir ao médico com minha filha, na sala de estar uma jovem da idade dela, negra,  cuida de um bebê branco, com um casal branco, não olha para ninguém, apenas para o chão, enquanto os pais conversam com a médica na sala de estar.

         Uma cena que não esperava ver na capital do país, em pleno século XXI e que me incomodou profundamente. Provavelmente foi este tipo de casal que bateu panelas e quer que tudo continue do mesmo modo, que não haja cotas, que as classes populares não entrem nas universidades, que o ENEM seja boicotado, bem como as escolas técnicas de qualidade.

         No dia anterior, como minha filha estava com caxumba, tinha ido numa manifestação à noite, assim que saí do IF. Como fui direto do trabalho cheguei cedo e poucos companheiros estavam por ali, sentei num banco perto da Biblioteca Nacional e fiquei conversando com companheiros. Logo chegou uma jovem negra, estudante da UNB e disse que estava ali para defender o projeto de país que a tinha colocado na UNB.

          Duas cenas antagônicas, a do dia do médico e da jovem estudante da UNB, a da sala de estar  sem chance, ainda refém de uma elite que se pudesse ainda mantinha a escravidão e outra que representa a luta contra o retrocesso.

          Não consigo pensar em país que dê certo com elitismo, separação de classes, raças, e outros absurdos. Prova estão em países como Irlanda, Suécia, Finlândia  e Cuba, onde todos possuem chances democráticas de acesso ao conhecimento, onde o trabalhador braçal recebe o ensino técnico se quiser, mas depois não terá tanta diferença do salário daqueles que gostam de estudar.

          O que fez com que estes países funcionassem? Foi uma elite controlando mídias e judiciário, construindo ódios, manipulações, separações entre as pessoas como algo ‘natural” ou projetos públicos e democráticos de participação, principalmente no conhecimento?

             Minha sensibilidade está aflorada e dolorida, quero de volta um país democrático onde as pessoas possam ser presas apenas depois que o judiciário tiver provas concretas contra elas.

               Onde todas a jovens da idade da minha filha possam tirar os olhos do chão, independente do trabalho, da cor de pele e que possam sonhar estudar.

                Este país que  estava se construindo, melhorando, sumiu de nossa vista e agora surge um que trouxe de volta o julgamento sumário, similar àqueles da época da Inquisição, onde as pessoas precisavam provar que não eram bruxas, ou, outros tempos sombrios.

                  Quero aquele  país das cotas, PROUNI, de volta e não quero mais acordar no Brasil Colônia, como tive a sensação de acordar outro dia.

     Camila Tenório Cunha, 28/09/2016

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