Greve, pec 241 e melhoria do país.

   Nunca acho que a greve tenha que vir como primeira arma de luta coletiva, ela deve vir apenas quando todas as mesas de negociações forem fechadas, por isso em 2012 em assembleia votei contra a greve. Depois que perdi aderi porque acho anti ético furar uma greve, já que as conquistas delas me atingirão também.

      Todavia, agora não há mesa de negociação, a saúde, a educação pública de qualidade, que garantem uma qualidade de vida melhor, estão em jogo com a PEC 241.

        Uma amiga, colega de coração, do campus IFB Gama me disse não fará greve porque não acredita que ela trará nada e me perguntou: “Que outra solução para melhorar o país você teria se não for a PEC 241?”

         Poderia começar pela taxação das grandes fortunas; o não pagamento das dívidas públicas para os banqueiros, seguindo exemplo da Islândia; a reforma tributária- política- midiática- judiciária, enfim, são muitas soluções reais.

           Muitas destas existem em países como Suécia, em que o número de funcionalismo público é até maior que no Brasil, lá achamos lindo, aqui não queremos.

                  Fiquei mesmo espantada com o poder da mídia de convencimento, como convencer  ratinhos de que a ratoeira é boa, nunca o congelamento em gastos públicos resolverá problemas.

                      A Grécia adotou esta estratégia e assistimos sua tragédia.

                A Islândia já usou outra, reformou politicamente, expulsou banqueiros, democratizou de fato tudo e está bem, apesar da crise que assola a maior parte dos países do mundo.

                       O problema dos banqueiros não deve ser resolvido com – mais – sacrifício do povo.

                       A greve agora, aprovada ontem em assembleia pelo sindicato que me representa, o SINASEFE, é legítima, pois recebemos goela abaixo a PEC 241 e a medida provisória que reformula Ensino Médio.

                           Não houve debate com os educadores, até estava tendo, bem antes, um debate sobre reformulação do Ensino Médio, que em nenhum momento houve sugestão da retirada de disciplinas, muito ao contrário.

                        Quando este novo governo entrou ele ignorou o debate anterior e colocou uma medida provisória.

                            Outros ainda culpam o PT por toda tragédia, só que apesar de errar em alianças, nunca houve projetos neoliberais em programas políticos do PT, este é do Temer e se chama ‘A Ponte para o Futuro”. A população não votou nele, não queria mais privatizações porque ainda estamos sofrendo com as telefonias e outras privatizações da época do FHC…

                          Este ódio ao PT foi criado ao longo dos anos pelas mídias, que não mostrava nada de bom que ocorria: o Ciências Sem Fronteiras, alunos dos Institutos Federais ganhando prêmios de ciências (mesmo e apesar da greve em 2012) estes também sempre tiveram entre os primeiros lugares no ENEM. Aliás, até  porque a greve se torna um saber oculto para o aluno, não é apenas conteúdo apostilado que forma um ser humano.

                                A mídia não mostrou  que diminuímos mortalidade infantil acima do esperado pela ONU;   não mostrou que muitos alunos de graduação receberam diplomas graças às assistências estudantis  recebidas nas federais, outros graças ao FIES.

                                Por que falam em contenção e promovem um jantar em que um prato de caviar servido aos políticos  custa dezenove mil reais?

                             Este é o tipo de contenção que querem: apenas que o povo, a classe média, pague as custas de uma elite que se acha nobre.

                                      Uma elite que acredita poder falar em cortar gastos públicos – que afetará o povo – mas gasta milhões num jantar com dinheiro público, na mesma semana? Um aviso para estas elites: nossos jovens estão atentos e críticos. Outro: faz tempo que houve a queda da Bastilha.

                           Queria poder desejar feliz dia dos professores aos colegas, mas estaria sendo falsa, só farei isso quando este pesadelo da reforma do ensino médio e a PEC 241 acabar.

 

Professora filiada ao SINASEFE, Camila Tenório Cunha

15/10/2016

 

 

 

 

 

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2 Comentários

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2 Respostas para “Greve, pec 241 e melhoria do país.

  1. Ricar

    Camila, gostei muito do seu artigo. PARABÉNS!!

  2. Al

    Professora, acredito que há coisas que, por conveniência dos patrões verdadeiros (que não são os políticos) nunca são faladas. As políticas de austeridade vêm sendo questionadas por grandes economistas, mundiamente. O que nunca, mas nunca mesmo se vê na “grande” mídia é uma discussão séria sobre a legalidade ou ilegalidade dos segredos de Estado, cada vez mais numerosos, enquanto o povo, segundo o termo “democracia”, é quem “governa”. As reformas que o povo precisa – E ALMEJA – dependem de um sistema de informações público-financeiras totalmente transparente, onde aquilo que realmente se passa pode ser visto por qualquer cidadão.
    Logicamente, estamos bem longe disso. O Banco Central dos Bancos Centrais, “BIS – Bank of Internacional Settlements”, banco da basiléia, não aparece nunca nas notícias, a não ser para dar testemunho do apocalipse. Procure as notícias desse Banco em outubro 2016 e ficará chocada. Enfim… “se o povo não souber como são feitas as leis e as salsichas, conseguirá dormir mais facilmente à noite”.
    Somente com o fim da guerra se poderá começar um mundo que dê certo, onde a palavra democracia tenha um significado digno e não essa prostituição de poderes mal resolvidos que temos testemunhado.
    O professor Noam Chomsky tem um vídeo, chamado “Requiem para um sonho americano” que descreve a questão do empoderamento das sociedades secretas, seitas e maçonarias em detrimento da população. A política representa apenas um teatro que compõe 30% do circo. O iceberg tem mesmo muito mais coisa encoberta do que se supõe. Não por outra razão, Kennedy foi assassinado em plena luz do dia para o mundo testemunhar, justamente por abominar o segredo e ousar tratar disso publica e oficialmente. Será que temos solução? O problema já se arrasta desde muito antes de Roma… Nos obrigam a matar ou morrer.
    Sinceramente, os gastos públicos são uma abstração, nesse caso. O que realmente é grave é que tiraram a presidente por supostamente maquiar as contas, o que a nossa bela imprensa batizou de pedaladas fiscais, para vender uma famigerada política de austeridade – o bolsa bilionário ou bolsa Fiesp – como solução para o país. Mas isso tudo foi fruto do desespero do velho senhorio, nesse momento perdendo a força e tentando se agarrar ao poder com todo o mal que possa fazer. Ainda tem muito desconforto pela frente, tenhamos resiliência pois é só o começo.

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