Saúde e qualidade de vida:

Outro texto sobre fator de prevenção do câncer, dia primeiro de abril, mas tudo que vai nele, é verdade:

O amor cura.

Numa parte do livro em questão, Anticâncer, que estamos usando este espaço para conversar sobre, é analisado como deve ter surgido, nele mesmo, no autor, um tumor tão grande e repara que tinha vivido um divórcio recente. Em auto análise não tinha vivido e trabalhado bem com aquela dor, apenas tentado camuflar dele mesmo.

Deste modo, ele relata como as dores, perdas e situações de rejeições ajudam na questão causar câncer, tanto quanto o stress e a alimentação errada. Novamente o autor foi pesquisar sobre esta questão. Não bastava ele ter mudado sua alimentação, estar plantando suas verduras, fazendo meditação, caminhadas com seu cão, tudo que comprovadamente é anti câncer, sem ter trabalhado dentro dele a que talvez tenha sido a principal causadora, nele, do câncer.

O autor, então, pesquisa que a questão psicológica, não apenas das mágoas, como já dizia o senso comum, mas de dores, perdas, sentimentos de rejeições, são os principais estouros na vida das pessoas para surgimento de tumores.

Poderíamos dizer que o inverso, o amor, cura. Então me lembrei de uma colega de trabalho de minha mãe que teve câncer de mama na mesma época que ela. Talvez uns meses depois e do quanto ela é tem um marido companheiro, amoroso, gentil, que se mostra apaixonado sempre, mesmo depois de quarenta anos de casados. O quanto o amor dele a ajudou a se curar, a querer se curar e como ele foi importante neste processo. Isso foi lá pelo ano 2001, ainda há pouco tempo vi fotos dos dois viajando. Ela não apenas foi curada, como continua bem e os dois apaixonados. Ambos com faixa superior aos sessenta anos. Minha mãe faleceu sofrendo, apesar de ter tentando todos os métodos de cura.

O que podemos constatar que o amor pode curar. Não apenas o amor fraterno, isso minha mãe tinha de mim. Contudo,  este amor romântico, que relembra viagens, planeja outras, que divide bons e maus momentos, que vê os filhos darem netos, mas ainda planeja novas luas de mel. Este amor faz falta, o pouco dele na vida, a soma de rejeições em grau maior que de ser amado, é cancerígeno. /Todos os pais sabem que os filhos crescerão, em maior ou menor tempo, terão suas vidas, mas este tipo de companheiro da minha professora de português, colega de minha mãe, faz falta.

 Faz falta saber que você quer ainda ser amada por alguém, ser querida, ter alguém para oferecer um ombro cúmplice, planejar férias, ir numa festa e ter a companhia certa, com filhos nunca sabemos se estamos atrapalhando uma paquera…

Faz falta ter alguém para ligar de confiança quando seu carro quebra numa pista sem acostamento de velocidade 80km/h.

Faz falta ter alguém para conversar sobre momentos quentes que construíram juntos, ou sobre um filme que apreciaram.

Faz falta ir à luta por um mundo melhor e saber que tem parceiro nisso também. Lutar só cansa.

Ir fazer exames médicos sem ter alguém na sala de espera para lhe perguntar como foi é triste.

 Sentir-se sem fazer falta para ninguém em especial neste mundo: alto fator de risco para saúde, simples assim.

Deste modo, concluímos que boa parte do aumento de câncer tem haver sim como o modo solitário da vida moderna, as pessoas se usam, porém se recusam a construir uma intimidade. Tudo é líquido e rápido, inclusive o “amor”. Como conheço pessoas que praticamente se curaram há mais de vinte anos com apoio de companheiros, de amor, podemos dizer que amor é fator de diminuição de risco de câncer, falta dele, altamente mortal.

Camila Tenório Cunha, primeiro de abril de 2017.

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Esta página surgiu sobre um debate que não se encerrou dentro de mim, com a morte da minha mãe por um câncer que começou na mama, mas se esparramou, inicialmente no pulmão.

Ela estava ainda em tratamento (todos os tipos da época e pelo SUS) quando meu irmão a presenteou com o livro “Anti Câncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”,  de David Servan-Schreider.

Desde então, passei a usar partes destes livros na minhas aulas com terceiros anos do Ensino Médio integrado ao Técnico. Ensinar é sobretudo reaprender a cada vez que ensinamos, deste modo, tento aplicar as medidas preventivas também comigo. Já que geneticamente estou no quadro de risco.

Todavia, pelo livro mesmo sabemos que algumas medidas preventivas podem ser extramente difíceis nos dias de hoje. Como por exemplo, se livrar das perdas (afetivas) e fadigas, stress. Por exemplo, observem a imagem abaixo, retirada do próprio livro em questão:

imagem stress sem edição

O grupo de ratinhos do meio (todos  receberam células de tumores agressivos e tiveram a mesma dieta), apenas 23% deles não desenvolveram tumores. Eles foram submetidos à choques aleatórios, não sabiam quando ocorreriam, sabiam que poderia ocorrer a qualquer hora. Outro grupo de ratinhos sabia exatamente por onde passaria que receberia choque, destes 63% não desenvolveram tumores. Quando há controle, mesmo de uma situação ruim, não é de fato uma situação estressante. Podemos falar isso sobre o trânsito parado matinal, para ir ao trabalho, é chato, mas se a pessoa sabe que passará por ele, todos os dias, coloca uma música, escuta notícias no carro, e outras medidas que aliviam uma situação que se torna rotina. Uma situação ruim que é rotina é menos cancerígena que diversas situações desagradáveis que não esperamos. Uma estrada que um dia tem um cavalo morto, no outro um carro capotado, no outro um caminhão corta e quase bate de frente em você. Estas situações, por exemplo, por serem surpresas, são cancerígenas: você não sabe o que vai encontrar. Não se trata de um trânsito lento, mas  de surpresas.

Outra coisa são ambientes de trabalho competitivos, onde não há cooperação entre os colegas, cada dia algo inesperado ocorre, estas também podem ser chamadas de situações cancerígenas. Você espera que com uma explicação e pedido de ajuda os colegas de trabalho cooperem, em vez disso, eles pioram a realidade. Isso pode ser muito cancerígeno, altamente estressante.

As perdas afetivas também estão dentro de quadros de risco para a saúde e de altamente cancerígenas. O autor do livro, ao descobrir por acaso o grande tumor em seu cérebro, tinha acabado de passar por um divórcio. Ao ir estudar sobre o assunto, já que seu tumor não era operável (ele era neurocirurgião), percebeu que esta questão dentro dele estava mal resolvida e questões inacabadas ou mal resolvidas também são cancerígenas.

A soma de uma genética, e, uma ou mais situações descritas acimas nos colocam no grupo de risco. Dificilmente apenas uma das situações, por exemplo, a genética, nos coloca em situação de risco para câncer.

Nos próximos escritos entrarei em cada um dos meios de prevenção que o autor pesquisou e como podemos aplicar um ou todos em nosso dia a dia.

Embora, como disse, muitas vezes as situações não dependem de nossa boa vontade, a genética, um ambiente ruim de trabalho, uma estrada com surpresas entre o trabalho e a moradia, perdas… Tudo isso foge ao nosso controle e pode ser extramente prejudicial, nos colocando fácil no grupo de risco. Porém há que se falar que devemos buscar os outros métodos pesquisados pelo autor e que falarei nos próximos textos.

Nos próximos textos quero debater também o que debato com os alunos, o quanto as políticas públicas, o valores culturais, influenciam ou não nestas questões e como poderíamos transformar estas realidades.

Camila Tenório Cunha, 18/03/2017

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